Atividades
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A rápida evolução da Inteligência Artificial e das tecnologias digitais está a reconfigurar profundamente os modos de vida contemporâneos, com implicações diretas nas esferas social, económica, ambiental e ética.
Face a esta evolução, é indispensável uma reflexão da bioética para a promoção de uma literacia digital crítica que procure contribuir para que a evolução da IA se oriente efetivamente para um desenvolvimento sustentável, isto é, para a construção de sociedades mais saudáveis, equitativas e pacíficas, capazes de construir um presente que não ponha em risco o futuro das gerações vindouras.
Os desafios éticos e interdisciplinares que se colocam são complexos, convidando a comunidade científica, as instituições e a sociedade civil a ponderar os limites, os riscos e as oportunidades inerentes à integração da IA em múltiplos domínios:
– No domínio da saúde e do bem-estar, a IA oferece ferramentas poderosas para diagnóstico, monitorização e intervenção clínica, permitindo uma medicina mais preventiva e personalizada. Contudo, também levanta questões éticas relativas à privacidade, ao uso secundário de dados sensíveis, à equidade no acesso aos cuidados, ao risco de decisões automatizadas que escapem ao escrutínio humano, ao carácter insubstituível de uma comunicação verdadeiramente humana.
– No domínio social e económico, a IA apresenta um potencial significativo para melhorar processos de decisão, aumentar a eficiência produtiva e apoiar políticas públicas mais informadas. Todavia, levanta igualmente preocupações quanto à ampliação de desigualdades, à possível substituição tecnológica de postos de trabalho e à necessidade de garantir mecanismos transparentes e justos de governação algorítmica. É essencial articular inovação tecnológica com princípios éticos robustos que assegurem a proteção de direitos e da participação democrática, bem como mecanismos de responsabilização.
– A transição energética e a sustentabilidade ambiental têm beneficiado de soluções baseadas em IA, seja na gestão de redes inteligentes, na monitorização da qualidade ambiental ou na otimização do uso de recursos. Contudo, é necessário considerar o impacto ambiental das próprias tecnologias digitais, nomeadamente o consumo energético dos centros de dados, a produção de resíduos eletrónicos e a pegada de carbono associada ao desenvolvimento e treino de modelos de larga escala.
A convergência entre bioética, Inteligência Artificial e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável impõe, pois, uma reflexão estruturada, interdisciplinar, que privilegie a prudência, a justiça social, a sustentabilidade, o primado da dignidade humana na era digital.
As universidades constituem espaços privilegiados de fomento de um pensamento crítico, baseado em fundamentos e objetivos éticos claros: é urgente fomentar competências críticas que permitam compreender, utilizar, questionar a IA de forma responsável e preparar cidadãos e profissionais capazes de navegar um mundo crescentemente mediado por algoritmos.
14 JAN. 2026 • EMCB
Conferência
“O Humano e a Máquina”: Bioética, IA e sociedades sustentáveis
Vivemos tempos difíceis, marcados por polarizações de índole política, social e cultural que geram conflitos abertos, consubstanciados em guerras, mas também na erosão do tecido social, na desconfiança face à ciência, numa abertura acrítica a teorias da conspiração de diversa índole. Todas estas polarizações são indicativas da ausência de predisposição para o diálogo, para a escuta, ao mesmo tempo que a apetência para pensamentos de sentido único aumenta, potenciada pelas “ditaduras do algoritmo”, pelo fascínio por um “admirável mundo novo” que se revela como algo poliédrico, desafiante. Vivemos tempos que exigem a coragem e a sabedoria de saber ouvir e de saber dialogar, de estabelecer pontes entre diversas formas de conhecimento – tempos de uma interdisciplinaridade que não contribua para “a torre de Babel”, mas sim para uma transdisciplinaridade à procura do sentido, ao serviço de um mundo e de um desenvolvimento que abra horizontes de esperança para as gerações atuais e para as gerações futuras.
Que relação existe entre a saúde e esta necessidade de diálogo em tempos de conflito? A OMS define a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença”. Temas como o olhar sobre o corpo, o contexto social que pode determinar a saúde dos cidadãos, o lugar da IA, as consequências da guerra na saúde mental e física, os dramas relacionados com a nutrição em contexto de conflito aberto ou de pobreza extrema, a manipulação da informação nas redes sociais com impacto no enviesamento do conhecimento, as opções políticas que procuram proteger ou descartar o direito à saúde, que geram intolerâncias, rasuras da história, apatia emocional, fazem parte das preocupações centrais de uma abordagem da bioética que procura contribuir para convergências e formas de pluralismo saudáveis.
O programa da Cátedra Internacional de Bioética da UFP para 2025 propõe-se criar espaços de reflexão, de debate, de diálogo e de escuta precisamente sobre os impactos destes tempos de conflitos na qualidade de vida dos cidadãos, de acordo com a noção ampla de saúde da OMS.
08 JUN. 2025 • UFP
Mesa Redonda
'Homo Deus' – a ciência pode tudo? Conversa interdisciplinar
08 ABR. 2025 • UFP
Mesa Redonda
A saúde em tempos de IA: Haverá espaço para diálogos esperançosos?
15 MAI. 2025 • HE-UFP
Conferência
The disapperance of the human body
Vivemos uma época de grandes desafios: depois de anos em que a comunicação direta entre as pessoas podia constituir um risco para a saúde e em que a tecnologia ocupou o espaço da comunicação possível, vivemos hoje, de uma forma cada vez mais acelerada, um fascínio estonteante por formas de comunicar geradoras de silêncios empobrecedores. Telemóveis, computadores, tablets – todos os instrumentos que nos permitem saber mais acerca do que se passa no mundo do que em qualquer outro momento da história – parecem gerar silêncio e distanciamento entre pessoas que se encontram lado a lado. A Inteligência Artificial “promete-nos” um admirável mundo novo em que, inclusivamente o cuidar do outro, pode ser delegado num robot, programado para substituir, rentabilizar, programar formas de interação sem alma. Como nos definimos hoje? “Que parte de nós é o nosso eu”? Como encontrar formas de comunicação significantes, silêncios, palavras e gestos que aproximam, em vez de acirrarem o individualismo? Que espaço terá uma alteridade constitutiva do “ser-humano”? Num tempo de fascínios, de uma espécie de “admirável mundo novo” tecnológico, quais são as nossas inquietações? Que leitura crítica fazemos do mundo? Que lugar damos ao tempo de uma comunicação que humaniza? Que tempo reservamos para o tempo de estar, para o tempo de ser, para o tempo de escutar o outro? De que formas poderá a tecnologia contribuir para potenciar encontros com significado? Como poderá a ética e a bioética continuar a contribuir para construir e encontrar pontes entre nós? Que lugar tem a compaixão e a empatia num pensar e num agir ético?
Estas serão as grandes questões que a Cátedra Internacional em Bioética da Universidade Fernando Pessoa desafia a comunidade académica a pensar e a debater. O desígnio de uma Cátedra é claramente pedagógico. Pretendemos que os nossos alunos possam aprender, refletindo, fora do contexto formal das aulas. Pretendemos que a comunidade dos professores ajude os alunos neste processo, envolvendo-se, cruzando experiências, informação e formação que seja convergente com a ética e a bioética. Consideramos a interdisciplinaridade um meio indispensável para produzir conhecimento com interesse pedagógico, e não um fim em si mesma.
18 JUN. 2024 • HE-UFP
Mesa Redonda
Ética na/da Comunicação
22 MAI. 2024 • HE-UFP
Mesa Redonda
Compaixão, Empatia e Humildade Narrativa
8 ABR. 2024 • UFP
Mesa Redonda
Felicidade, sucesso e individualismo: algumas reflexões
12 MAR. 2024 • HE-UFP
Mesa Redonda
Envelhecimento
27 FEV. 2024 • UFP
Debate
sobre o filme “A Onda”
25 JAN. 2024 • HE-UFP
Mesa Redonda
Inteligência Artificial Aplicada no Contexto de Cuidados de Saúde
A complexidade do mundo atual apela a reflexões também elas complexas, capazes de se deixarem interpelar pela realidade, procurando interpretá-la a partir de uma ética e de uma bioética que contribuam para um viver bem, com os outros e para os outros, em instituições justas. Pensar a ética para tempos incertos significa olhar para o mundo a partir de uma escuta responsável, em ordem a um agir baseado em valores e na procura de diálogos multifacetados com os direitos humanos como horizonte a atingir. O que tem a ética e a bioética – entendidas como reflexões acerca da vida, nos seus diversos aspetos – a dizer nestas encruzilhadas? Como contribuir para cruzar saberes de forma pedagógica, compreensível e, simultaneamente, desafiadora?
O programa da Cátedra Internacional de Bioética para 2023 deixa-se interpelar pelas dinâmicas do mundo, numa época pós-pandémica, marcada por acontecimentos inesperados ou desafiadores: a guerra, a evolução da tecnologia e o seu impacto na construção de formas de conhecimento úteis para um mundo melhor, o direito à alimentação, as competências éticas necessárias para uma saúde compreendida na perspetiva da Organização Mundial de Saúde, isto é como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas como a ausência de doença”, os grandes eventos à escala global e os seus impactos locais.
08 MAI. 2023 • HE-UFP
Mesa Redonda
Competências Éticas em Saúde: Alguns Olhares
20 ABR. 2023 • UFP
Mesa Redonda
Direito à alimentação
21 MAR. 2023 • UFP
Mesa Redonda
Programa de inteligência artificial ‘chatGPT’
01 MAR. 2023 • UFP
Mesa Redonda
Cinema e guerra
05 JAN. 2023 • HE-UFP
Mesa Redonda
Ética e Mundial do Qatar
“Responsabilidade Social e Saúde” constitui o tema escolhido para a comemoração do Dia Mundial da Bioética pela Rede Internacional de Cátedras de Bioética, da qual a Universidade Fernando Pessoa faz parte. Trata-se de um tema inspirado no Artigo 14 da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, no qual se frisa que a promoção da saúde e do desenvolvimento social em benefício dos povos é um objetivo fundamental dos governos e deve envolver todos os sectores da sociedade. Gozar da melhor saúde que se possa alcançar constitui um dos direitos fundamentais de qualquer ser humano, sem distinção de raça, religião, opções políticas e condição económica ou social. Ao progresso da ciência e da tecnologia nas áreas da saúde haverá de corresponder, na medida das possibilidades de cada povo, a responsabilidade dos cidadãos pelos seus comportamentos em comunidade, tanto no sentido da prevenção, como no sentido da contenção de pandemias.
27 OUT. 2022 • UFP
Apresentação da Cátedra Internacional de Bioética da UFP